Final Fantasy VII


Ano de Lançamento: 1997
Gênero:
RPG
Plataformas:
PSX/PC
Jogadores:
1
Lingua:
Inglês
Produtora:
SquareSoft

Final Fantasy VII foi o primeiro jogo da Square para o PSX, levando a um desafio idêntico ao que a empresa enfrentou tempos atrás: ser um sucesso ou falir definitivamente. O empenho posto na produção do novo título da franquia foi grandioso e, como era de se esperar, foi um sucesso. O jogo vendeu 9,7 milhões de unidades, tornando-se uma febre no mundo todo.

Uma nova era:

Claro que com uma nova era, novos rumos seriam tomados. O primeiro deles foi trocar a Nintendo pela Sony. A razão de tal foi que o cartucho do novo console da Nintendo, o N64, eram muito limitados, possuindo apenas 64 MB (daí o nome), já os CDs possuem mais de 600 MB de capacidade, além de que os jogos poderiam ser divididos em várias mídias, um trunfo a mais.

Os gráficos 2D também foram abandonados. Embora não tenha sido muito bem sucedida nesta parte, os gráficos de FFVII são completamente 3D com cenários pré-renderizados, isto é, criados por computação gráfica e renderizados, como uma foto, para que o personagem pudesse caminhar sobre ela, com espaços limitados através de programação.

Com os novos gráficos, veio o novo estilo de combate. O sistema de batalhas veio com grandes inovações, porém, inicialmente, o que se mais nota é que foi abandonado o velho estilo de “monstros do lado esquerdo e personagens do lado direito”, já que agora a câmera fica se movimentando conforme a batalha em questão, podendo se localizar atrás do personagem, atrás do oponente, sobre o cenário, etc.

Há muitas outras novidades que serão analisadas mais a frente, porém já da para se ter uma idéia do quanto FFVII significou para a história da Square, devido ao sucesso que fez, principalmente no Ocidente, onde marcou definitivamente a presença da franquia e da empresa.

Os gráficos 3D:

Batalhas totalmente em 3D!

A primeira noção que se tem da diferença de FFVII para seus antecessores são os gráficos, agora totalmente em 3D com cenários pré-renderizados, como dito anteriormente. Infelizmente, estes gráficos não são muito agradáveis, principalmente nos mapas, onde os personagens são completamente deformados, com divisões óbvias das partes do corpo deles, além de que simplesmente aparentam não ter mão nem boca.

As CGs também não estão de muito boa qualidade, podendo se ver falhas em várias partes, além de cenas que parecem ser “erros de gravação”, como o sumiço das luvas de Sephiroth na cena em Ancient City. Outro erro gráfico muito evidente nas CGs é a aparência da água, que mais parece papel crepom, vista na cena final do primeiro CD, entre outras desassociações grosseiras.

Livre de tais erros, os gráficos nas batalhas estão excelentes, apesar de que as animações das habilidades são feitas a partir de imagens 2D, como em um RPG Maker. Os personagens são mostrados em tamanho natural, os oponentes são bem detalhados, as animações das evocações muito bem desenvolvidas, criando um ambiente agradável. É bem capaz do jogador querer ficar lutando freneticamente apenas para não ter que ver os gráficos do mapa.

Ficção Científica:

Seguindo as tendências de seu antecessor, FFVII possui um enredo onde há pouca fantasia e muita ficção, tentando misturar uma aura medieval com a ciência de hoje em dia, abandonando um pouco o conto de fadas dos primeiros títulos da franquia.

O jogo se baseia em um mundo contemporâneo, que não seria mais visto na série até FF XIII, que foi lançado em 2009 no Japão para o PS3.  Dentro deste mundo outro assunto muito atual, é debatido: a destruição do planeta pelo consumo de energia. No contexto do enredo, a energia utilizada é a Mako, Lifestream manufaturado, este por sua vez é para o planeta, como a seiva é para as plantas, e se retirada por completo, fará do planeta uma rocha vazia, levando-o para a destruição.

Muitos outros temas de ficção científica estão presentes em meio à história de FFVII. O principal deles são as experiências em seres humanos envolvendo células alienígenas. Pode parecer estranho ler esta frase e tentar incluí-la em um enredo de RPG, principalmente de FF, porém este tema é tão bem aproveitado, que se torna agradável ao jogador, envolvendo-o na história de tal forma que dará uma sede de quero mais após o fim da aventura.

Como Muttley diria: matéria, matéria, matéria:

Alguns comandos de batalha, customizados graças ao uso das Materias!

Com um novo título nas mãos, é de costume que a jogabilidade fosse modificada, já que é uma tradição na franquia, porém jamais se esperou tamanha modificação e nem tamanha aprovação dos fãs.

A principal modificação na jogabilidade foi o sistema de matérias, cujas quais representariam habilidades, e deveriam ser equipadas no personagem para que adquirissem tais magias. Isto fez com que os personagens não ficassem “presos” a uma profissão e nem a algum estilo de combate, como era anteriormente na série.

As matérias são subdivididas em: verdes (magias comuns), amarelas (comandos como steal e sense), vermelhas (evocações), azuis (combinações) e roxas (independentes). Elas devem ser distribuídas através de slots presentes na arma e no bracelete que o personagem está utilizando.

Ao se ganhar uma batalha, o jogador será presenteado não apenas com experiência, mas também com AP, que nada mais são que pontos necessários para se adquirir as demais habilidades da matéria, vistas em sua descrição.

Esta inovação fez com que os jogadores pudessem decidir suas estratégias com mais eficiência, não ficando tão presos a personagens chaves, como curandeiros, para prosseguir no jogo, além de dar maior dinamismo ao estilo de combate, tornando-o mais divertido.

Minha vez, LIMIT BREAK:

Outra inovação na jogabilidade, que continuou nos demais títulos da série com certas modificações, são os Limit Breaks. Eles são tipos de ataques especiais, ativados quando o personagem recebe uma determinada quantidade de dano por seu oponente. Seus efeitos são muito variados, indo do status de invencibilidade por um certo período de tempo, até ataques incrivelmente poderosos, constituídos por vários acertos.

Estas habilidades são pessoais de cada personagem, isto é, cada um possui uma característica diferente em seus Limits, portanto cabe ao jogador decidir que tipo de especiais lhe agrada mais, porém todos têm grande utilidade, podendo até mesmo acabar com as Weapons, que serão analisados mais a frente, em um único golpe.

O retrato do mundo atual:

Shinra Company.

Como dito anteriormente, FFVII apresenta características do tempo contemporâneo em seu enredo, onde aparecem favelas, florestas desmatadas, observatórios, empresas multinacionais, etc. De certa forma, estas características trazem ao mundo um ar estagnante, fazendo o jogador se sentir aliviado quando sai pela primeira vez ao mapa mundí, vendo pela primeira vez algum verde.

Este fato acarreta temas também atuais, além dos já mencionados, como a utilização de energia utilizando como matéria prima a força do planeta, há também uma forte menção a pobreza, êxodo rural, discussões sobre tipos de sociedade, empresas monopolistas, etc.

Todos estes fatores criaram uma grande surpresa aos jogadores de longa data, que esperavam um mundo mais medieval, cheio de magia e fantasia,mas ainda sim agradou muito aos fãs da série, levando a franquia a praticamente triplicar o número de adeptos.

Fanatismo:

FFVII foi, provavelmente, o primeiro Final Fantasy da maioria dos fãs da série. Isto fez com que muitos jogadores desconsiderassem os títulos passados para apenas se dedicar aos posteriores, além de criticar estes últimos, sempre comparando com FFVII. Tais pessoas ficaram conhecidas como Fan Boys, que cultuam o sétimo título acima de todos os demais, desconsiderando a magia que os outros possuem em seu enredo, personagens, mundos, etc.

Com isto também chegou o que chamamos de Anti Fan Boys, jogadores de longa data que desconsideram FFVII, simplesmente para discordar dos acima citados. Eles falam sobre os personagens sem nunca ter qualquer contato com o jogo, desconsiderando por completo todo o enredo que FFVII possui.

As pessoas sensatas sabem que ambos… são idiotas. Tanto FFVII quanto qualquer outro possui uma magia em si, um mundo que se identificará mais com uns jogadores que com outros. FFVII obviamente foi melhor assimilado por Ocidentais por possuir um mundo que já é espelhado nesta cultura, como ficção científica e tudo mais já citado. Porém deve ser lembrado que não foi o primeiro título a ter estes temas como foco, FFVI, lançado para SNES foi o abre alas dos temas futurísticos nos enredos da franquia, porém não destruindo totalmente os temas fantasiosos, como FFVII fez.

Embora sempre haja a guerra para saber qual FF é o melhor, sendo inútil pois cada um possui um especial para si, este título com certeza é o que possui mais adeptos. Porém não se deve chegar ao ponto de simplesmente esquecer os títulos anteriores, que, em muitos aspectos, consegue até mesmo superar FFVII.

Viva Gold Saucer, morram os Weapons:

O lugar mais divertido do mundo!

FFVII é o título da franquia com o maior número de mini games a serem aproveitados, apesar de não possuírem total importância para a história, como o Tetra Master no FFIX. Os mais elaborados são: batalha de motos, descida de snowboard e a guerra de submarinos.

Estes três joguinhos são feitos durante a história original e, uma vez completados, são destravados na cidade Gold Saucer, um parque de diversões imenso em forma de cogumelos de ouro, daí o nome. Nesta cidade há também jogos não tão elaborados ou desafiadores, mas que divertem durante um certo tempo e servem para conseguir GP, a moeda da cidade, como por exemplo: queda de braço, arremesso a cesta, etc.

Porém Gold Saucer é mais que um mini game ambulante, ela é o carro forte para a aquisição das matérias mais poderosas do jogo. O primeiro lugar de destaque é o Battle Square, onde um único personagem deve ser escolhido e equipado para enfrentar uma bateria de combates para adquirir Battle Points, com os quais se compra matérias muito úteis, como W Summon e W Item, e o melhor especial de Cloud, o Omnislash.

O segundo lugar de grande importância é o Chocobo Racing, uma pista para corridas de chocobos. Em meio ao jogo há a possibilidade de se capturar chocobos e cruzá-los para adquirir espécies melhores, chegando ao fato de mudarem de cor, assim podendo também caminhar sobre novos terrenos e adquirir matérias até então escondidas. Porém, é necessário que os chocobos estejam adultos e em forma, aí que entra a Chocobo Racing. Ela serve para que os chocobos ganhem um melhor condicionamento físico e procriem para outra espécie com maior facilidade, além de que se podem ganhar matérias secretas, como Enemy Lure.

Porém Gold Saucer não é o berço de todos os mini games. Alguns deles só serão obtidos uma vez, ganhando uma certa compensação em itens se obtido um bom resultado, como a marcha e a coreografia em Junon, ou a parte onde o protagonista deve se travestir para entrar na mansão.

Existem, como não poderia deixar de ser, monstros extras, conhecidos como Weapons, que são incrivelmente mais poderosos que o último chefe. Na versão japonesa apenas um, Altima Weapon, pode ser enfrentado e não possui tamanha força quando a do chefe final. Já na versão americana existem outros três: Diamond Weapon que pode ser enfrentado quando o mesmo ataca Midgar, não sendo muito difícil; Emerald Weapon, que pode ser enfrentado no fundo do mar e possui uma força inigualável e Ruby Weapon, que pode ser enfrentado no deserto de Gold Saucer, incrivelmente forte. Cada qual possui uma recompensa, que pode ir de armas poderosas e grande quantidade de AP até Master Matérias, matérias que possuem todas as habilidades de sua respectiva cor.

FFVII não é exatamente o FF que possui a maior quantidade de extras, porém é o que possui mais mini games, divertidos ou não, podendo levar o jogador a passar semanas em Gold Saucer à procura de uma pontuação excelente ou simplesmente para passar o tempo. O sucesso destes joguinhos foi tão grande que foi disponibilizado no Japão a cópia exata do mini game do snowboard para celulares.

A compilação FFVII:

Vicent em DoC!

Por ser o título com mais defasagem na história “pré jogo”, por possuir maior número de brechas para novos rumos e, claro, por ser o preferido da maioria, FFVII foi o escolhido pela Square para ser alvo de uma compilação de jogos para vários consoles, visando uma ampliação dos horizontes da empresa. Foi chamado de: compilação FFVII, em homenagem aos 10 anos do jogo, datado de 1997.

Ao todo foram lançados: 2 jogos para celulares, 1 jogo para ps2, 1 jogo para PSP, 1 filme em animação gráfica, 1 OVA e 1 livro. Os fãs ainda esperam por um jogo que dará um fim definitivo na história ou um remake para a nova geração de consoles.

O jogo para PS2 foi chamado de FFVII: Dirge of Cerberus, em homenagem a pistola de Vicent, que é o protagonista deste jogo. O título conta a procura do Ex Turk por respostas sobre sua amada, Lucrécia, e sobre o que realmente fizeram com seu corpo, pelo fato de sempre se transformar em monstros, tanto espontaneamente quanto devido ao sentimento de perigo. Diferente do título original, este é um jogo de tiro, já que Vicent utiliza armas de fogo em FFVII. Apesar das grandes críticas ao jogo, acusando-o

Cloud e Tifa no Filme Advent Children!

de ser um caça níquel (jogos que se baseiam em grandes nomes apenas para serem vendidos), o título possui uma grande qualidade, uma história bastante coerente, porém peca em deixar uma brecha para, talvez, um futuro título.

Os jogos para celulares são: Before Crisis, que conta a história dos Turks recém formados na luta contra a organização terrorista AVALANCHE, o jogo possui um sistema de combates interessante e se passa um tempo antes do enredo original, possuindo várias surpresas, principalmente em relação à história da Shin-Ra; o outro título se chama Dirge of Cerberus: Lost Episode e se passa entre uma missão e outra do título para PS2, não sendo exatamente uma continuação.

O jogo para PSP, chamado FFVII: Crisis Core, possui foco em Zack, amigo de Cloud e “ex-namorado” de Aeris. Embora seja focado em um personagem que já “voltou ao

FFVII Crisis Core do PSP é bonito!

planeta”, o título possui um grande número de revelações, tanto sobre a loucura de Sephiroth (antagonista do jogo original) quanto à de Genesis (personagem que aparece no final de Dirge of Cerberus). Possui uma jogabilidade interessante, embora frustrante, principalmente na hora de aumentar de nível.

O filme Advent Children é uma animação completamente 3D de longa metragem. Foi muito elogiado pelos fãs do jogo e possui animações de combate simplesmente emocionantes. Infelizmente Cloud é muito vangloriado neste filme, possuindo todo o foco só pra ele, sofrendo meio o que chamamos de “complexo de Seiya”, quem já viu Os Cavaleiros do Zodíaco entenderá. No DVD do filme, foi lançado como extra o OVA Lost Order, que conta como Zack faleceu e como Cloud chegou a Midgar, além dos fatos reais que acontecem em Nibelheim, esclarecendo certas dúvidas que pairavam no ar. O livro Cloud Message ainda não foi lançado e pouco se sabe sobre ele, mas seria decepcionante se a história terminasse em um simples livro. Muitos anseiam tanto o remake quanto um jogo que acabe de vez com as expectativas em torno do fim definitivo do enredo, só nos resta esperar.

Notas e Comentário Geral:

História: 8

A história de FFVII é simplesmente incrível, com vários temas abordados de maneira limpa, além de ter um ambiente adulto e vários mistérios que vão sendo revelados, conforme o jogador faz progresso no enredo. Infelizmente, para que o jogador tenha uma compreensão total do que realmente ocorre, é necessário jogar toda a compilação, o que é praticamente impossível, principalmente para os jogadores de pouca renda.

Gráficos: 6

Como dito anteriormente, FFVII foi o primeiro passo da Square no console, portanto a qualidade gráfica do jogo não é das melhores. O que salva este aspecto são as batalhas, que apesar de não serem perfeitas, são agradáveis aos olhos de quem joga.

Jogabilidade: 10

O grande marco de FFVII. O sistema de matérias foi muito bem aceito pelos jogadores, tanto pelo fato de fazer os personagens se desprenderem das famosas “profissões”, quanto pela possibilidade infinita de estratégias para se elaborar, tornando o aspecto excelente.

Som: 7

Os sons do jogo acabam se tornando repetitivos, principalmente na parte de exploração dos locais, onde sons de efeitos de água, por exemplo, são sempre iguais, irritando o jogador. Porém, nas batalhas, há uma grande variedade de efeitos sonoros que ambientam bem o cenário de combate.

Músicas: 10

Outro ponto forte de FFVII, o grande compositor da série, Nobuo Uematsu, conseguiu mais uma vez inovar e fazer uma trilha sonora épica para o título, variando entre vários estilos e cada um ambientando o que o local, ou a cena quer realmente passar ao jogador.

Diversão: 8

Apesar da jogabilidade incrível e músicas bem elaboradas, o jogo é muito, mas muito fácil. Um jogador mais experiente não vai saber como é a tela de game over. Até mesmo a batalha contra os chefes finais acaba se tornando brincadeira de criança, na mão de um jogador que já tenha passado grande tempo jogando RPGs.

Nota Geral: 8,17

Um dos melhores títulos de PSX, sem sombra de dúvidas, merece ser jogado por qualquer um que se diga fã de Finais Fantasy. Um remake do jogo é definitivamente merecido, principalmente para acabar com essa defasagem na dificuldade do jogo, e nos gráficos tão pobres em detalhes. Irá estar para sempre no coração dos jogadores, que tiveram por meio deste seu primeiro contato com o mundo dos RPGs.

Sephiroth: Um dos vilões mais carismáticos da história!!!

Review by Zemus!

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